Descaso do governo prejudica potencial turístico e econômico do Carnaval baiano
Empresário
davidsonbotelho@yahoo.com.br
Jamais na história desta cidade presenciei tamanha baixa estima de seus habitantes como está acontecendo nos dias atuais. Isso acontece porque a nossa cidade está literalmente abandonada ou a cidade está abandonada pelo fato de seus habitantes estarem incrédulos?
Nesse cabo de guerra entre a insatisfação e a inoperância da administração pública, quem perde é a população. Estamos no momento de maior decadência da nossa cultura, educação e da tão falada estima elevada do baiano. Só lemos e vemos, nos meios de comunicação (nacionais e locais), notícias que nos atingem assim como quem bate em um cachorro morto, fomos a nocaute!
Não somos mais desejo de turistas, desejo de diversão, desejo de cultura e muito menos exemplo para muitas coisas. Porém, o mais incrível mesmo é a total inoperância dos poderes públicos sobre tudo o que está acontecendo.
O alcaide informa que os problemas macro são de responsabilidade do governo estadual, que por sua vez informa que a administração da cidade é do prefeito, e assim estamos no vai e vem e, como sempre, a de plantão é a da população.
Há cerca de 10 dias teve início uma campanha nas redes sociais, campanha essa que pedia aos “baianos” para não convidar ninguém para vir ao carnaval de Salvador e aconselhando os turistas a buscarem outros destinos. Em cerca de 3 dias, este POST foi compartilhado por milhares de pessoas que passaram a debater esse assunto com inúmeros argumentos como: violência, assaltos, alto custo dos hotéis, blocos, camarotes, cidade abandonada, desmando, etc.
Essa coisa de redes sociais é uma bomba atômica, em questão de horas recebi ligação de amigos de Madri, Miami e de diversos estados do Brasil indagando sobre esse tema.
Também está rolando um vídeo no YouTube com o título MMA no Carnaval da Bahia (assista aqui). No citado vídeo, um repórter de uma TV internacional comenta sobre a folia momesca em nossa capital dando ênfase ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a grande violência existente, mostrando cenas degradantes de brigas entre os foliões. Esse vídeo já foi visto por milhões de pessoas mundo afora.
Nesta semana os noticiários concentraram suas pautas na greve dos policiais, recusa dos médicos em trabalhar no carnaval, polêmica entre os cordeiros e os blocos, etc. Tudo isso às vésperas do carnaval. Os hotéis não estão com a mesma ocupação de anos anteriores, poucos blocos irão repetir o desempenho econômico e os camarotes talvez tenham o pior carnaval dos últimos anos, assim como o número de voos extras nesse período no aeroporto da nossa cidade também será inferior.
O que mais me impressiona é a passividade do nosso povo e da indústria interessada nesses assuntos (turismo e carnaval), pois a inoperância dos poderes públicos não me afeta mais. Onde estão as entidades organizadas do carnaval? Dos artistas? Dos hotéis? Das agências de receptivo? Por que manifestações só são realizadas por trabalhadores e não por empregadores?
A zona de conforto é muito grande, ninguém quer confrontar o poder público com atitudes maduras, empresariais, sem baixaria, exigindo um mínimo de respeito a uma indústria que gera bilhões em impostos e empregos. Onde está a estratégia desses segmentos em criar campanhas contra-atacando e tentando desfazer os exageros?
O sentimento que eu tenho é que a toalha já foi jogada, ligaram o famoso botão e apenas estão esperando o fim chegar, afinal de contas, nada está tão ruim que não possa piorar!
* As opiniões emitidas nesta seção não refletem o posisionamento editorial do blog, mas do autor do texto.
** Artigo publicado dia 3/2/2012 no site Bahia Notícias










